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Artigo escrito por: José Matos
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Em meados dos anos
70, a Força Aérea Portuguesa (FAP) não tinha em operação nenhum
avião com características supersónicas. O North American F-86F Sabre
era o avião mais rápido que tinha no seu inventário, mas o peso da
idade impunha a sua substituição. Vários países da NATO tinham
substituído os seus Sabres pelo Lockheed F-104 ou então pelo
Northrop F-5, um pequeno caça táctico que parecia ser a melhor opção
para substituir o velho Sabre. O F-5 não era um avião muito
sofisticado, mas tinha capacidade supersónica e excelentes
qualidades gerais, além de custos de operação e manutenção baixos e
armamento versátil. A FAP estava seriamente interessada em receber
este aparelho e para começar a preparar os seus pilotos e técnicos
recebeu por empréstimo 6 supersónicos de treinamento Northrop T-38A
Talon. Os aviões chegaram em 1976, desmontados a bordo de um C-5
Galaxy com matrículas americanas e foram integrados na Esquadra 201
dos falcões que operava os últimos Sabres.

Foto:
Amavel DIAS
VICENTE ( TBIRD33)
O T-38 era um dos
projectos mais bem sucedidos da Northrop com mais de 1.100
exemplares produzidos para treino avançado dos pilotos da USAF (a
Força Aérea dos EUA). Quando entrou em serviço em 1961, no Comando
de Treino Aéreo (ATC) da USAF, era um aparelho fora do comum, pois
tinha capacidade supersónica, o que era uma novidade em modelos de
treinamento, o que provocou uma certa inquietação inicial. Mas o
T-38 veio a revelar-se um excelente avião de treino com uma taxa de
acidentes muito baixa graças à sua versatilidade e segurança. No
entanto, apesar do sucesso do T-38 no ATC e noutros organismos fora
da USAF, como a NASA, o aparelho não estava destinado a ter sucesso
no mercado de exportação. A Alemanha foi o primeiro país a comprá-lo
para treinamento dos seus pilotos, mas os 46 aparelhos alemães
ficaram nos Estados Unidos, na base de Sheppard, Texas, usando as
insígnias da USAF, embora destinados exclusivamente ao treino de
pilotos da Luftwaffe. Dos operadores de F-5, apenas a Turquia,
Taiwan e a Coreia do Sul receberam o avião para treinamento avançado
dos seus pilotos, mas já depois de Portugal.

Foto:
Amavel DIAS
VICENTE ( TBIRD33)
Os aparelhos
portugueses mantinham a pintura branca de origem assim como as
matrículas da USAF, embora ostentassem a bandeira portuguesa na
cauda e a Cruz de Cristo na fuselagem e nas asas. Como o processo de
aquisição dos F-5 continuava em vista de se concretizar, a FAP
recebeu mais 6 T-38A em Janeiro de 1980, destinados a Monte Real e à
Esquadra 201. Só que nessa altura já se equacionava a compra dos
Vought A-7P Corsair, para operações antinavio, deixando para sempre
adiada a opção dos F-5. O T-38 perdia assim a sua razão de ser, mas
o avião ficaria na mesma para a FAP por cedência norte-americana. Os
aviões receberam então matrículas FAP de 2601 a 2612, mas brevemente
deixariam de estar subordinados à Esquadra 201 dos falcões, que
acabaria no final de Julho de 1980 com o abate dos últimos Sabres em
serviço. Nessa altura, os 12 aparelhos são transferidos para a
Esquadra 103 juntamente com os Lockheed T-33A, continuando a operar
em Monte Real. Como se tratavam de aviões com características
diferentes, a 103 foi dividida em duas esquadrilhas independentes
cada um com um tipo de aparelho. Em Janeiro de 1987, toda a Esquadra
103 foi transferida para a Base Aérea nº11, em Beja, onde o T-38
começou a ser usado em 1990 no curso de Introdução Operacional
(CIO), que visava o treinamento avançado para as esquadras de
combate e depois em substituição dos T-33 no Curso de Instrução
Complementar de Pilotagem de Aviões de Combate (CICPAC).
O T-38 acabaria a
sua vida operacional em Beja em Junho de 1993, sendo substituído nos
meses seguintes pelos Alpha Jet da Luftwaffe cedidos à FAP como
contrapartida pelo uso desta base.
Durante os 17 anos
de actividade na FAP, seriam os únicos aparelhos supersónicos a
operar em Portugal, estatuto que conservariam até ao fim dos seus
dias em Beja e sem registro de qualquer acidente.

Um dos doze T-38A Talon ex-USAF fornecidos à FAP. Neste caso, ainda se pode ver a
numeração de origem pintada na cauda. Este avião receberia nova
matrícula em 1980 com o número 2603.
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Bibliografia:
Cardoso, Adelino,
Aeronaves Militares Portuguesas no Século XX, Essencial,
Lisboa, 2000.
Colecção Aviões de
Guerra nº 98, T-38 Talon, Editora Nova Cultural, São Paulo,
1985.
Lopes, Mário
Canongia e José Manuel R. Costa, Os Aviões da Cruz de Cristo,
Dinalivro, Lisboa, 1989
Revista Mais Alto
nº 209 Jan/Fev. 1981
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O T-38 na Net:
http://www.airforce-technology.com/projects/t-38/
http://www.is.northropgrumman.com/products/usaf_products/t38/t38.html
http://www.combataircraft.com/aircraft/tt38.asp
http://www.af.mil/factsheets/factsheet.asp?fsID=126
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