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Artigo escrito por: António M. M.
Luís
Colaboração de: Paulo Mata e
Álvaro Gonçalves
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Depois
da desactivação da Esquadra 201 – Falcões que voou o F-86F até
Julho de 1980, surgiu em 1981 a Esquadra 302 – Falcões, herdeira do
espírito e tradições da Esquadra 201 e que se preparou para receber
e operar o Vought A-7P Corsair
II, a partir de 24 de Dezembro de 1981.
A aquisição deste avião foi o resultado “possível” para
a satisfação das necessidades que a Força Aérea Portuguesa (FAP)
sentiu após a reorientação do regime político em Portugal, bem
como pelo fim do “estigma” e do modus
operandi ainda enraizados, decorrentes de vários anos de Guerra
nas Províncias Ultramarinas.

Foto: Paulo Mata
Como resultado das negociações efectuadas com a administração
Norte-Americana e respectivas contrapartidas sobre a utilização da
Base Aérea das Lajes, nos Açores, por parte dos Estados Unidos, a
decisão da compra de um avião de combate polivalente para suprir o
abate do F-86 recaiu sobre o Vought
A-7P Corsair II. Ainda se
equacionou a compra do F-5E, tendo mesmo sido adquiridos 12 aviões
T-38A Talon, muito semelhantes ao F-5 para conversão e treino de
pilotos para estes aparelhos… Mas a decisão final foi a aquisição
de dois lotes de A-7P, o primeiro de 20 unidades e o segundo, depois
de uma re-negociação, de mais 30, que incluía 6 TA-7P (versão
bi-lugar de treino).
A versão para Portugal tomou a designação A-7P (P de
Portugal) e, basicamente, consistiu na modernização de células de
A-7A e B, já retirados de serviço da
USNavy. Esta “remasterização” colocou o A-7P ao nível do
A-7E, a versão embarcada da Marinha
Americana que na altura era o esteio dos aviões embarcados de ataque
dos EUA. Contudo, esse upgrade
não inclui remotorização, pelo que os já “algo cansados”
P&W TF-30 P-408 se mantiveram em uso.
Os primeiros 9 aparelhos chegaram à BA5 no dia 24 de Dezembro
de 1981, com os números de cauda: 5501 a 5506, 5508, 5509 e 5511. Os
restantes 11 aparelhos, que perfaziam o lote de 20 e com os números
de cauda 5507, 5510 e de 5512 a 5520, chegaram até final de Setembro
de 1982 (no caso do 5520). Estas aeronaves vieram então equipar a
Esquadra 302 - Falcões, sedeada junto à placa Alfa 1, na parte Sul
da Base Aérea nº5.
A
aquisição do A-7P proporcionou assim um importante desafio para os
militares da FAP, pois representou na altura um considerável salto
qualitativo em termos tecnológicos e de procedimentos na gestão e
operação de um meio aéreo e que fez a ruptura com a obsolescência
crescente de alguns meios aéreos daquela época.
A Esquadra
302 teve como missão
principal o Apoio Aéreo Táctico às Operações Marítimas
– TASMO (Tactical Air Support
Maritime Operations), e como missões secundárias a Defesa Aérea
e a Interdição Aérea.
No que respeita à missão de Defesa Aérea, o A-7P nunca se
revelou particularmente eficaz, pois não se tratou nunca de um “caça”,
mas de um típico avião de ataque ao solo. Neste âmbito, revelou-se
sempre muito bom! Como “caça”, o A-7P dispunha a capacidade de
transportar 2 mísseis ar-ar AIM-9P Sidewinder
e posteriormente a versão L, bem como da presença de 2 canhões
de 20 mm, situados um de cada lado da entrada de ar do motor. Contudo,
o disparo dos mísseis teria de ocorrer à vista do alvo, já que o
A-7 não dispunha de radar ar-ar, o que o limitava enormemente.
Depois, no aspecto das manobras em voo e apesar de ter
excelente manobrabilidade, o A-7P não possuía um motor que
respondesse com rapidez e agilidade a certo tipo de manobras típicas
e “exigidas” a um caça.
Até à entrada ao serviço dos restantes 30 aparelhos (5521 a
5550), a Esquadra 302 foi aquela que, quase como sempre, esteve na
linha da frente no que toca à operacionalidade e importância na FAP.
Com a chegada dos restantes 30 aparelhos, foi criada a Esquadra
304 – Magníficos, que chamou a si e para principal missão, a
Interdição Aérea e como missões secundárias as de Luta Aérea
Defensiva/ofensiva e a TASMO.
Incluídos no lote de 30 aparelhos, foram atribuídos a cada
Esquadra, 3 aeronaves TA-7P (versão Bilugar), para treino e conversão
de pilotos, mas mantendo as capacidades operacionais, à excepção do
canhão de 60 mm, que foi suprimido e substituído por lastro e pelos
sistemas de oxigénio. Os TA-7P foram numerados de 5545 a 5550. Estes
aparelhos eram conversões de células de A-7A, reconstruídas em versão
bilugar. Assinale-se que durante algum tempo, esteve baseado em Monte
Real, um TA-7C (matrícula americana 154404,com simbologia e bandeira
da FAP), que devido à sua cor cinza claro, foi “meigamente
baptizado” de “Pomba Branca”.
Teoricamente, os aviões afectos à Esquadra 302 foram os
inicialmente adquiridos, juntando-se depois o 5521 e 5522, mais os 3
TA-7P com os números de cauda 5545 a 5547. E porquê teoricamente?
Bom, à medida que foram ocorrendo acidentes, com perda de
aeronaves e considerando que foram surgindo dificuldades de manutenção
do A-7P, motivadas pela ruptura de sobressalentes originadas por
dificuldades orçamentais e de logística, os aviões eram distribuídos
pelas duas esquadras conforme a sua disponibilidade e as missões a
realizar por elas, sendo possível e provável ver aviões
pertencentes à Esquadra 302 a voar na 304 e vice-versa. Por exemplo,
em Julho de 1986, o avião 5506 (do lote inicial) ostentava sobre o
seu número de matrícula da cauda, o emblema da Esquadra 304…
A história do A-7P na FAP e na Esquadra 302 em particular
fez-se por fases boas e menos boas. Os aviões eram já usados, as
dificuldades de manutenção foram crescendo à medida que os anos
passavam, factos que obstavam a realização das missões e o treino e
as horas de voo exigidas aos pilotos, ressentindo-se assim a
actividade e o grau de operacionalidade da Esquadra.
Durante os 18 anos da operação do A-7P foram perdidos 16
aparelhos do total da frota,
em acidentes de vária ordem, a que se foram juntando
“canibalizações/sacrifícios” de outros aviões que
“esgotavam” o seu potencial e assim eram utilizados para retirar
peças e sobressalentes para que outros aparelhos pudessem continuar a
voar. As duas Esquadras, obviamente ressentiram-se desses factos.
Em virtude deste e de outros problemas, a actividade dos A-7P
chegou a estar virtualmente suspensa por duas vezes, em Maio de 1988
– altura em que a frota voou apenas 2 horas, e em Agosto e Setembro
de 1995, altura em que nesses meses se voaram apenas 16 horas, sendo
que em Setembro a frota parou por completo, devido a problemas nos
motores e nas células. Porém, e superadas as dificuldades graças ao
esforço de técnicos, pessoal de apoio e ao reforço orçamental, o
A-7P voltou à ribalta e devolveu aos céus a sua inconfundível
presença.

Foto: Paulo Mata
Ao longo dos 15 anos da Esquadra 302, realizaram-se diversos
“Squadron Exchange”,
sendo que o mais notável e mediático, foi sem dúvida a deslocação
de aparelhos até ao “conturbado” solo/céu de Israel, ocorrida no
início da década de 1990. Neste âmbito contam-se também deslocações
à Noruega, ou a Cabo Verde (uma visita de cooperação e
cordialidade) para referir apenas alguns exemplos geograficamente mais
“relevantes”…
A Esquadra 302 participou também em diversos festivais aeronáuticos
nacionais e internacionais, em exposição estática ou em demonstrações
de performance, tanto em avião solo, ou em parelha. Estas participações
suscitavam sempre muita curiosidade, dado o A-7P não ser muito comum
nas Forças Aéreas Europeias, devido à sua silhueta agressiva – típica
de um avião de guerra – e à sua surpreendente manobrabilidade na
execução de algumas manobras. Em Portugal concentrava muita atenção
porque era a oportunidade de estar perto da então “Jóia da
Coroa” da FAP e de um avião que misturou polémica com fama e eficácia,
e que “rasgou” com o seu típico rasto de fumo escuro, os céus de
Portugal durante quase duas décadas.
Quer se goste ou não, o A-7P marcou incontornavelmente a FAP,
a Base Aérea nº5 e os entusiastas da causa aeronáutica em Portugal,
e a sua passagem pelos céus de Portugal deixou muitas marcas e um
“rasto” (!) que dificilmente serão esquecidos.
Em 1994, com a chegada de 20 caças Lockheed
Martin F-16A/B Fighting
Falcon, foi reactivada (com alguma polémica) a Esquadra 201 –
Falcões, que implicou que a Esquadra 302 se passasse a chamar de Águias
Reais.
À medida que o número de A-7P se ia reduzindo, tornou-se
insustentável a existência de duas esquadras, pelo que em Maio de
1996 se deu o fim da actividade da Esquadra 302, passando os
aparelhos, para a Esquadra 304 e os pilotos uns para a Esquadra 201 e
outros também para os Magníficos, como foi o caso do seu último
Comandante (Interino) MAJ/PILAV ELVAS, que viria mais tarde a comandar
e a levar até ao fim a frota de A-7P na Esquadra 304 e na Força Aérea
Portuguesa, facto que ocorreu em 10 de Julho de 1999.
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Bibliografia:
LUÍS,
António M. M. e MATA, Paulo, “O
voo do Corsário” – Mais Alto nº321, Set/Out99
ELVAS,
Rui Brito, “Corsair II –
Vought A-7P – Força Aérea Portuguesa”, 1999
FERREIRA,
Rui, “A-7 Corsair II, da
USNavy para a FAP” – Mais Alto nºs 313 e 314, Jun/Jul e Ago/Set98”
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